"Tomamos o elevador. Nesse tempo, nunca dispensei o charuto aceso nos elevadores, escondido na mão. Concordava entusiasmado com as pessoas que se queixavam do “cheiro”, como se alguém tivesse competência para criticar o olor de um bom charuto. Ao sair do elevador, fincava o charuto nos dentes e tirava bela baforada." Eduardo Almeida Reis, Estado de Minas
*
Você tá ali, madrugada forte, trabalhando com calega, as duas conectadas pelo skype, as duas resmungando, as duas de olho no relógio, sem acreditar como é que uma noite pode passar assim tão rápido, tão desesperadoramente rápido, assustadoramente rápido, incrivelmente rápido, quando um comentário bobo e sem sentido dá início a mais absurda e devastadora crise de riso. E quando a calega, em meio às lágrimas de riso diz,' guria, nós estamos rindo de nervoso', você ri mais e mais e mais.
*
E gente, me explica o seguinte: que tanta implicância é essa com aqueles adesivinhos que tem nos carros da familinha feliz? Já vi de pai, mãe, fio, cachorros, dois papais um cachorro e um gato e um de um cara com dois gatos. Nunca vi de duas mamães. O que eu não entendo é: pq a implicância? Que que tem se o caboclo gosta do carrinho dele adesivado? Vejam que eu não legislo (oi, Silvana, o verbo é assim?) em causa própria: não tenho família e nem Torresmo comporta adesivos mas, oi? O cara gosta de adesivinhos. Ele vai lá, cola meia duzia de adesivinhos na porra do carro dele. Hum hum, você vai me dizer que é o que os adesivinhos representam, que eles são o baluarte de tudo que há de errado neste país, a letra escarlate que marca a nociva classe média deste rincão tropical? Hum. E tu qué coisa mais classe média, aliás nelsonrodrigueana, que ficar reparando no carro dos outros, camarada? No que que tem no carro dos outros?? Hahahahaha. Imagina se a gente fosse implicar com a sua tatuagem, fio. Ah, tem gente que implica com a sua tatuagem? Hum, manda ir se danar, mô bem. Eu implico com a implicância. Tá tudo patrulhinha demais, vcs tão um pé no saco, sabiam? (hahaha, lembrei de um que o prof. PC postou, era uma familinha feliz e tipo, o adesivinho da mãe tinha sido raspado, oia, o casamento alheio em crise e eu rindo)
*
Devia haver prêmio pra mala bem arrumada. Sério. Acabo de arrumar o trem e espero que o Bóbi Goren saia de dentro do meu armário pra me dar uma estrelinha doirada. Deus, eu sou maravilhosa em arrumar mala. Nada modesta, mas pô, fica parecendo que o Poirot arrumou a mala, dobrou as coisinhas, ensacou tuda, embalou os vidrinhos. É um dom, licença deu me jactar.
*
Falando em ser baluarte da classe média, fui ao super e tive uma crise de nelvos no caixa. Tou ganhando mal, muito mal.
* A cousa que sufoca, que oprime, que não espera, que não compreende. A cousa, a cousa. A que vem por aí. A que espera na curva. A cousa que estrangula. Que faz o gato engasgar. Que chuta suas canelas. Que faz você perder por um triz. Que mancha suas camisas. A cousa que nos cerca. Que se dá ao respeito, pois a cousa tem lá seus pudores. Uma cousa que se diga. Que abate, que nega. A cousa estava lá quando você se olhou no espelho bem de perto. A cousa some com um pé das suas meias. A cousa nunca flui. Ela não se ajeita aos poucos, ela não se resolve sozinha. Não foi a cousa que botou um caroço no seu peito esquerdo, mas ela foi com você buscar os resultados dos exames. No escuro, a cousa está lá. É dela a respiração que você ouve. A cousa tem fome e não dá moleza para vagabundo. Ela não tem pena dos órfãos. A cousa não se ilude. Qual é mesmo o nome da cousa?