Entonces
Rua escura, chuvisquins, café, roupa na máquina, cama feita, crônica do Eduardo Almeida Reis, mais café, leite de verdade (na casa de mamãe o leite vem em quatro encantadores categorias: leite de verdade, leite de caixinha, leite em pó e truque-master-patifaria-blaster-plus-gordos-safados-ativar, que é leite condensado no café), pão de verdade, geléia de morango, queijo branco que o moço traz de Minas, tia Sônia no café da manhã. E a ladeira? E-n-o-r-m-e. Força na subida.
Eu sei, esse blog tá mais abandonado que mulher de marinheiro, né? Meu cachorro tb. Eu também. Mas uiem, como disse a Isa, não há horas suficientes no dia. A pilha de e-mails não respondidos tá ridícula. Eu tou 19, 20 horas por dia no ar e não tou, mesmo assim, dando conta. É difícil pra mim admitir, parece reunião de grupo de apoio, mas meu nome é Fabia, tenho 38 anos e não dou conta. Não de tudo. Então não dá pra vir e escrever longão. Mas dá pra vir e dar oi. Então, oi. Todos quentinhos e seguros?
Baco, o bárbaro, no IG
* Ela está de casa nova.
*
Você se interessa por livros sobre programação java, um treco chamado CMMI e outro sobre Análise de Pontos de Função? Escreve preu.
*
Sábado, a partir da oito da noite, maratona Rerispótis na Warner. Dublado, se deus quiser. A isto, senhor leitor, dá-se o nome de vida social intensa.
falando em those were the times, amores, aqueles eram mesmo os bons e velhos tempos que não voltam mais. olhem bem pressas coisinhas momosas.
*
Aquela coisinha que alguns chamam de berço; alguns de nível; alguns de criação, que meu pai chamava de ciência (como na frase "Minha filha, aquele homem não tem ciência", querendo dizer que o cara era um tremendo dum grosso); que minha mãezinha não chama de nada, ela apenas diz "Bibi, ele é um tanto..." e toca no nariz fazendo um gesto que ela inventou para esses casos que me faz rolar de rir; que eu chamo de ter sido criado debaixo do tanque, feito Baco, né, amores?; que dinheiro nenhum dá; que a maioria dos colégios - mesmo os caros -não ensina; e que ou você tem, ou você não tem; e pelo resto da vida você passará dando pequenas pistas da não existência dessa qualidade sempre que se aprensentar a ocasião. Noutras palavras, não apenas o cavalheiro não se levanta quando na sala adentra uma senhora, não apenas o rapagão não puxa a cadeira para a própria mulher e ainda conta histórias, numa voz bem, bem alta, sempre, sempre, sempre em primeira pessoa, não importando quem esteja em volta. Não. Ele também, ao responder e-mails, escreve "Eu e a Fulana". É aí, nenês, que Deus se esconde. Nos detalhes. E o que mais me impressiona: essa gente casa.
* Se eu leio? Todo santo dia, a partir de hoje (dica da Paulinha que sabe das coisas da vida).
*
Ele tem talento, eu dei sorte. Aiai. Como ensinou a Vera, a gente não manda ir se auto-copular que é pra bola continuar no jogo, que nem no frescobol. Ah, a diferença que uma Vera não faz na vida. Verodrol rules.
*
Ficar mais idosinha e, infelizmente, viúva, é aprender a frequentar uns tantos lugares só. É difícil porque mulher não é mesmo, ensinada a fazer isso, nunca, nunca. E apesar da tristeza gigante que isso tudo arrasta, da qual já falei inclusive aqui, há uma certa vitória em entrar só num restaurante que se ama, pedir uma massinha, testar o vinho, olhar em volta. E se der, até sorrir.
*
Sério que as mães mudernas se sentem representadas pela criatura das propagandas de suquinho de soja sabor abominável? Eu sei, eu sei, não devo dar minha opinião sobre nada disso, não tenho esse direito, devo me calar, me arrastar até debaixo duma pedra e morrer, mas... sério? Ai ai.
* - muito bom esses caquis que você trouxe, Nina.
- que bom mãe...
- são caquis bem conscientes.
- eles pensam?
- os conscientes duram mais.
- sei... eles não ficam molengando, né mãe?
- conscientes, doces e firmes
- que virtude... eles devem trabalhar a mente
- é sim, Nina... foram os japoneses que trouxeram a semente....
dela, é lógico
*
Caras, eu só trabalho, como é que vocês estão? Alice só vi seu delicioso e-mails sobre os descaminhos do Senado hoje. Isso nunca mais vai acontecer. Por favor, me desculpe, é sério, isso nunca amis vai acontecer. Que semana. E tudo bem, eu trabalho todos os dias, mesmo finais de semana e feriados (como era a frase do Tim Maia sobre a Banda Vitória Régia?), mas esse final de semana foi campeão dos campeões. Eu só trabalhei. Que coisa.
*
O LV, né? Só mais uns dias, mores, porque não é só tempo, vocês sabem, eu tenho que pegar naquilo com o coração puro e a alma fortalecida, haha.
*
"Sempre convivi harmoniosamente com os pronomes demonstrativos. Quando bebo com um amigo luthier, sei que “esta cadeira” é a minha, porque nela estou sentado, enquanto “essa cadeira” é aquela em que o fabricante de instrumentos de corda se assenta."
Eduardo Almeida Reis, no Estado de Minas.
*
O domingo acabou. Viva o domingo.
"Peço ao leitor que não me venha com a sugestão de casamento, porque aí mesmo é que a vaca vai para o brejo, terreno sáfaro e agreste que só da urzes" - hahahaha, Eduardo Almeida Reis. Bom domingo, quilidins. A coisa aqui ferve.
Vocês tão bem, benzinhos? Tudo certinho? Musiquinha, ainda dentro das festividades "hoje é dia da Tati"
(e esse foi um filmaço, não foi não, meus filhos?? Those were the times.)
Algumas pessoas simplesmente fazem a gente acreditar que um mundo melhor é possível. Melhor, mais ético, mas doce, mais bonito.
Ser sua amiga, Tati, me faz feliz. Uma pessoa melhor (não muito, me melhorar muito é impossível, mas um cadinho melhor).
te amo. desejo que as melhores coisas sempre alcancem você.
Desde ontem que os helincóptis não param nos céus do Beco. Será que o febeinho tá na captura de Baco? É possível. Pelo sim, pelo não, meu valente animar vai pra debaixo da cama, que ele não é nem loco.
*
Lealdade. Onde está a sua, onde está a minha. Lealdade para com quem, ou o que. Tenho certeza que a Elô tem alguma opinião a respeito, hahahaha!
*
Morreu o Haroldo, um tremendo dum tradutor, um homem fino, gentil, agradável, generoroso até a medula, um farol, um querido, que muito me ajudou com e-mails cheios de dicas e correções nessas madrugadas idiotas de trabalho. Que coisa mais triste, que bosta.
*
Fiz rua com Mali hoje em três etapas esfuziantes. Deus do céu, como rua é coisa demorada, não?? O dia inteiro ocupado, um dia de trabalho perdido, montes de coisinhas, para aqui, para ali, fila disso, senha daquilo, que pavor. Um dia de trabalho, o prazo nos meus cascos e eu parada em farol, em casa de material de construção, sei lá eu mais o quê. Ainda bem que foi com Maliu, o que quer dizer que nós cantamos o tema dos Smurfs o tempo todo, para alegria dos circunstantes. Rá.
*
Preciso de uma dica de faculdade de filosofia. Pra ontem. Boa, bonita e barata. Perto do metro? Certamente. (@vitorfasano, hahahaha)
Teve IG ontem e eu esqueci de dizer. Tenho esquecido tantas coisas. Umas importantes. Outras não.
*
Chá de hortelã. Meu deus do céu, adoro o inverno, adoro esse frio, adoro trabalhar embrulhada no cobertor xadrez do Alexandre, adoro. Adoro. A-d-o-r-o. Adoro.
*
E adoro os gatos-pacotinho todos bem juntinhos madrugada adentro enquanto mamãe defende a ração sabor ovelha deles. :o) Além de Bárbara, Bolívar também resolveu roncar. Puxou papai.
*
Ah, é só isso mesmo. O resto é infalável. Aqui.
Oi, então que tou eu aqui traduzindo furiosamente, ergo os olhos 5 segundos da tela do pc pra tela da tevê e, uia, Jequisbáuer tá enfiando a mão DENTRO do corpo do vilão, via rasgo no peito e tira de lá de dentro UMA PLAQUINHA DE METAL. São tres da manhã, tou frio, sono, fome e coisinha e o Jaquisbáuer tá remexendo nos miúdos do vilão, sem luva, na raça, a essa hora da madruga e o sangue escorrendo e os paramédicos com cara de quem vai ter um ataque de pelanca. Gente, é muita emoção pruma pobre tradutora. Vou pegar mais chá de hortelã e meditar sobre a finutude humana. E Baco?? Dormindo faz mais de seis horas, nem se mexe. Ele perde todos os lances emocionantes.
Tertúlia virtual: que lugar faz você se sentir em casa?
Um amigo, certa vez, perguntou onde eu gostaria de viver se, tempo, dor, dinheiro e governo não fossem um problema e eu não soube responder. Eu não soube. Eu não soube dizer se gosto de casa, de apartamento, se de campo, se de mar, se dum resort, se dum submarino, se do castelo prometido pela revista ou dum sobrado no Brooklyn. Eu não gosto de nada, disse a ele, eu não gosto de nada e não quero ir a lugar nenhum. Meu amigo, que além de bom, ainda é, ele mesmo, um poeta, disse que isso é porque eu e meu coração não estamos no mesmo lugar. Ele tem razão, claro. Não estar no mesmo lugar que seu coração é nunca estar em casa. Eu não tinha percebido isso, até que minha mãe (com quem voltei a morar depois que meu marido morreu), miou, fazendo beicinho, que eu nunca digo “em minha casa”, e sim “na casa da minha mãe”. * E quando foi que estivemos, quando, quando foi que tive meu coração e a mim na mesma sala, no mesmo espaço, no mesmo mundo? Só quando pude, só quando pude, só quando pude encostar meu ombro ao seu, olhar na mesma direção, beber suas palavras, aprender seus códigos, entender suas piadas, olhar a vida através de suas lentes, cantar as suas notas, chamar você de minha casa, viver do seu sonho e inventariar suas sardas, meu bem, meu bem, meu bem.
E agora no limite da dor
Atingindo a leveza do ser
Só mesmo assim ausência –
Se define como não-Amor.
Salve, Adalberto. Eu gosto mesmo de tudo que ele escreve. E a gente nem tem vidas parecidas, nem concorda em tudo e nem é amigo assim, grudado, mas eu entendo e gosto tanto de ler tudo o que ele diz.
*
Tem IG no ar, numa não-comemoração.
*
Celular novo. Jaílson, celular, segurança e motorista. Ele é bonzinho, mas fala pouco, então estamos demorando a nos entender. E Antão e Peixoto, meus dois neuroninhos que não valem por um bifinho, tão encolhidinhos de frio, debaixo do cobertor de papai, vendo desenho animado, não dá pra contar com eles pra nada até setembro, vocês sabem. De modos que estou operando por instrumentos. Mas Baco tá lendo o manuel, tenho muita fé que daqui a pouco tudo se resolverá.
uma singela homenagem aos meus amigos de lista de discussão que estão se iniciando just now nessa vida de mistérios. Nunca é tarde pra entender os clássicos infantis .
A dragon lives forever
But not so little girls and boys
Painted wings and giants' rings
Make way for other toys
(sério: não tem coisa mais linda. e sua idade pode ser medida pelos mililitros de lágrimas que você derrama durante a música. eu, por exemplo, enchi uma lagoa. véia.)
("não precisa de pilha, funciona com o poder do pensamento positivo", hahahahaha, adouro)
** tou sumidinha, desculpem. tenho preferido imagens e musiquinhas a postar aqui caminhão de abobrinhas, a abrir matagais de dores com o facão do Cesário Verde. E não diga "Uai, mudou?", seu engraçadinho.
Acordei hoje e você não estava aqui. Procurei por você nas dobras do lençol e nas rugas dos meus olhos, nas gavetas cheias de potes de cremes, na prateleira dos DVDs que sobraram. Procurei por você nas pastas dos documentos, atrás de cada livro, no meio dos cachecóis, nas linhas das minhas mãos. Procurei por você, querido, mas você não estava aqui. Faz dez anos hoje, faz dez anos todos os dias nesse maldito calendário, nesse tempo que passa, que fica, que se expande e se contrai, como se fosse uma barriga de bicho, como se fosse eterno, como se precisasse me lembrar a cada instante que é inescapável. Procurei por você nas agendas velhas, nas fotos sem álbum, nos banquinhos de mosaico. Procurei por você nos blogs do Nelson e do Idelber, ‘blogs de macho’, você dizia, no fundo da caneca de chá, nos meus tênis cor de cereja e nas taças da Marli. Procurei por você nos e-mails que não recebi e no silêncio das que não vão mais falar comigo. Não fui capaz de encontrar você em lugar nenhum, nem nas prateleiras de Maliu que guardam os poucos objetos que guardei da nossa casa, nem na caminha do Baco, nem na voz da sua mãe para quem, liguei, covarde, sem dizer que dia era hoje. Procurei por você em mim, mas nada em mim ficou de seu humor perfeito, seu bom coração, seu caráter impecável, sua fé enorme no amanhã, na solução, no que é correto, no que permanece. Não pude achar você, querido. Olhei nos bolinhos das meias, na caixa dos brincos de gatinho que você me deu, nos montes de lencinhos de pano e nas caixas de remédio, no vidro de xarope e na bolsinha do termômetro. Não sou capaz de encontrar você em lugar nenhum, faz dez anos e eu ardo aqui.